quarta-feira, 26 de março de 2025

CRÔNICA DE MÁRIO SANTOS


MINHA VIDA DE CRIANÇA.

Meu sítio Gavião, onde passei minha infância. Ainda muito pequeno, conhecia o canto dos passarinhos. O canto do galo-de-campina, o canto do casaca-de-couro, o canto da acauã, essa quando cantava, fazíamos o pelo sinal, com medo da morte.
João Lã de Ovelha, era o pedidor de esmolas, só pedia farinha.
O cego Artur e o seu guia Otávio, que também eram vendedores de remédios e perfumes.
Luís Zumba, que fumava e eu tinha raiva de ser criança, e não poder fumar.
Às pescarias, no rio da Chata e no Rio Zabelê, os peixes eram poucos, e a fome era muita.
Sítio Gavião, onde vi meus pais derramarem o suor no cabo da enxada.
Às minha arapucas, pra pegar nambu, sabiá cancão e punaré.
Jogar golinhas de gude, caçar de peteca, corre em cavalo de paU.
Sítio Gavião, onde fui criança, e acho que depois de minha morte, ficarei lá, sendo criança para sempre.
Se é que vocês me entendem!!!


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